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Sábado, 04 de Setembro de 2010
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Rogério Ceni: o Revolucionário
Por Arnaldo Ribeiro e Maurício Barros

Rogério Ceni é um homem voltado para a família. Obcecado pelo trabalho. Torce o nariz para as modernices que compõem a imagem de dez entre dez jogadores de futebol no Brasil – tatuagens, brincos, grifes, loiras, baladas. E é um baita pão-duro. Ele inspira até hoje as piadas do ex-colega Diego Lugano. As poucas opiniões políticas que emitiu ao longo da carreira dão a entender que seja um eleitor de centro

Rogério Ceni é um cara conservador. Mas basta olhar atentamente ao que esse goleiro faz em campo aos 34 anos de idade para se concluir que, futebolisticamente, ele é um revolucionário. Quando o assunto é pensar o jogo, expandir as possibilidades dentro do campo, Ceni é um guerrilheiro guevariano

Não se fala aqui especificamente das faltas, que ele cobra com maestria e treina à exaustão. Essa é apenas a cereja do bolo. Eu calculo que mais de 50% das minhas participações em um jogo de futebol seja com os pés - diz o goleiro

Primeiro foram as faltas — e Rogério não treinou apenas as cobranças à perfeição; bolou também, da sua cabeça, um esquema quase infalível para evitar que levasse gols caso a bola batesse na barreira ou caísse nas mãos dos goleiros adversários

Depois das faltas, ele aperfeiçoou os pênaltis. Não satisfeito, criou também uma linha de impedimento (que segue existindo no São Paulo desde 2003, independentemente de qual treinador esteja no comando) para evitar que seu time tomasse gols oriundos de faltas laterais

Suas mais recentes inovações (talvez as mais significativas) são: participar ativamente da saída de bola do time, trocando passes com os defensores ou fazendo o lançamento para os atacantes; e jogar na sobra dos zagueiros, fora do gol, como se fosse mais um defensor

As inovações

A LINHA QUE NÃO É BURRA Em 2003, Ceni criou um jeito de fazer a linha de impedimento para combater, sobretudo, as faltas laterais, responsáveis por diversas situações de gol hoje em dia. Ele diz uma palavra-chave, normalmente o nome de um jogador do São Paulo, e todo mundo sai ao mesmo tempo da área, para colocar o adversário em impedimento. É um lance arriscado, mas, quando a bola chega, jogadores adversários parecem mesmo estar adiantados. A linha de Ceni sobrevive às constantes mudanças de treinadores no clube

O TERCEIRO ZAGUEIRO Com o time no ataque, zagueiros abrem nas laterais e Ceni fica no centro, fora da área, para cortar lançamentos. O avanço dos zagueiros também torna mais fácil colocar em impedimento os atacantes adversários em um eventual contra-ataque. Ceni faz a sobra

O GOLEIRO-LINHA Quando não há marcação sob pressão dos atacantes adversários, Ceni não quebra a bola. Sai com ela dominada para fora da área. Ou troca passes com seus defensores, girando a bola, ou lança com capricho para a frente

A COBRANÇA DE FALTA Hoje, Ceni parte para uma cobrança de falta até quando um outro jogador vai batê-la, numa jogada ensaiada, por exemplo. Por que tanto risco? Porque ele tem absoluta segurança de que está protegido

fonte: Revista Placar (outubro/2007)